ILUSÕES DA RUA

Trafegando por minha Infinitopia, além da Terra do Nunca, dobrando avenidas de sonhos quebrados, virando esquerdas e atravessando cruzamentos, você encontrou a Rua das Ilusões. Temos sonhos fresquinhos. Estacione seu sonho, alugue um pensamento e cumprimente a dona da rua.

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A DONA DA RUA

"Escrevo sem pensar, tudo o que o meu inconsciente grita. Penso depois: não só para corrigir, mas para justificar o que escrevi." (Mário de Andrade)


Bruna Montes Werneck de Freitas ou Luna Rubies, 17 anos, ilusionista iludida, de Leopoldina-MG para o infinito. Inconstante, impulsiva, crítica e sensível. Técnica em Música com especialização em piano e escritora amadora. Fala inglês e espanhol. Admira incondicionalmente Tim Burton, Johnny Depp e Muse. Louca por Literatura, gramática, Filosofia, Psicanálise, música, cinema, teatro, maquiagem e vinho tinto. Às vezes, negocia. Outras, notifica. Senta aí e toma uma xícara de café comigo.

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ESCREVENDO

No extinto "Tudo de Blog", da revista CAPRICHO

Período: 2008 a 2010
Na revista: Publicada em dezembro de 2008 com o texto "Mais uma volta em torno do Sol" (capa Britney Spears) e junho de 2009 com o texto "A vitória da Mulher Sustentável" (capa Robert Pattinson)
No site: Publicados os textos "Fuma, fuma, fuma, folha de bananeira...", "No dia 12 de junho..." e "Neurose Virtual"

No blog "Depois dos Quinze", da Bruna Vieira

Link: Depois dos Quinze
Período: Desde maio de 2010



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Adeus, Rua das Ilusões. Olá, Infinitopia.

 



- rabiscado por Bruna Werneck às 22h47
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Concepções de uma revolucionária

     Revolvendo o que estava sereno, ela chega movida por ideais e novas técnicas. Movimenta-se violentamente e modifica, reformando e transformando. Subitamente arma-se, com força e determinação, a fim de causar impressão duradoura. Assim são as revoluções, verdadeiros cabos de guerra, sendo a corda o ideal e, os nós, os homens movidos por ele.
     Napoleão Bonaparte, exemplo exímio de revolucionário, afirma que uma revolução é uma opinião apoiada por baionetas. Certamente, para revolucionar, é preciso uma idéia na cabeça e uma arma na mão. O que vem sem luta não é conquista satisfatória e, muito menos, conquista mantida. Não acredito em sorte para se ganhar alguma coisa, acredito em capacidade.
     Imaginemos um pequeno levante, em algum lugar do mundo, com possíveis revolucionários erguendo os braços e a voz buscando, por exemplo, melhores condições para os trabalhadores rurais. Se os organizadores do levante pegarem em armas com convicção de vitória, alastrarem suas idéias e conseguirem, num espaço curto de tempo, as mudanças requeridas, houve revolução. Agora, se não houve violência, foi apenas uma tentativa. Se não houve mudança imediata, foi uma evolução. E se não se obteve sucesso com o levante, este foi sufocado.
     É preciso, ainda, que a revolução mantenha-se revolução. Não deve escorregar ou parar. Os pensamentos puxarão idéias, as idéias se concretizarão em dizeres, os dizeres embalarão o povo e o povo revolucionará. Não há linha tênue nessa seqüência, pois é preciso manter-se fiel, confiante e resistente às influências. Só assim essa ordem de sucessão concluir-se-á de maneira adequada.
     Todas as maneiras fundamentadas anteriormente nada valerão se não houver o primeiro passo para se revolucionar: a revolução dentro de nós, como disse Mahatma Gandhi. De nada adianta querer revolucionar se, por trás de seu ideal inicial, ainda houver vestígio de preconceito ou desunião. Uma revolução que não busca direitos iguais é uma revolução ordinária.
     Apesar de valer-se de várias vertentes, uma revolução é sempre uma revolução em qualquer contexto histórico e em qualquer circunstância. Fato é que sempre será preciso haver instigação para mudar. Erguer a bandeira no mastro e sangrar pelas lutas. Revolucionar.

Texto de uma prova de Redação no meu 3º ano, em 2010.



- rabiscado por Bruna Werneck às 16h48
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Vovô está dormindo

Junho de 2008. Foto no meu aniversário de 15 anos. Parece mais fácil lidar com as coisas escrevendo pra quem nunca vai ler. Definitivamente, não é. Mas, de alguma forma, pára de me sufocar.

Você foi embora, vovô. Não sei o que dizer. Você foi o primeiro que eu vi, no centro, deitado, imóvel, coberto por um véu, rodeado de flores. A impressão que dava era que você levantaria a qualquer momento e pediria café e pão. Mas você não levantou. Continuou lá. As pessoas chegavam, com os rostos tristes, e você dormia sereno. Seu semblante era de nítida paz. Você estava feliz. Imensamente satisfeito por ter deixado um lindo legado. Transmitia tranquilidade ali, com as mãos sobre a barriga. Eu colocava as minhas mãos sobre as suas e ficava te olhando. Engolia as lágrimas, mordia a boca, saía de perto. Ia lá fora pegar um ar. Como me machucava te ver deitado ali. Muitas pessoas foram se despedir de você, vovô. Todas com a certeza de que você nasceu e morreu vitorioso. Se pudéssemos, ficaríamos ali com você pra sempre. Mas é dada a hora de você ir dormir. Todos lhe dão um beijo de boa eternidade na testa. Lentamente a tampa fecha-se sobre você e aqueles de quem você cuidou te carregam até sua nova cama. O sol queimava tanto, vovô. E mesmo assim todos nós o acompanhamos, até o último segundo. E te colocaram lá dentro, numa cama muito bonita, onde eu sempre vou voltar pra ver você dormir. Dói tanto saber que você se foi, mas o que aprendi com você me conforta de alguma forma. 95 anos não é pra qualquer um. É quase um século, você já é uma lenda. Os outros moços arrumaram seu travesseiro, e te fecharam lá dentro. Eu fiquei lá, estática, não entendendo nada, chorando, muda. Depois lembrei o tanto que você caminhou e fez o mundo mais inspirador. Você já devia estar bem cansadinho e resolveu repor as energias dormindo eternamente. Agora você pode descansar. Adeus, vovô. Durma bem.

Vovô Antônio Hygino de Freitas acordou dia 15-08-1915 e foi dormir dia 09-02-2011.



- rabiscado por Bruna Werneck às 00h51
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Ponto com vista

     Aquela paisagem nunca havia feito sentido pra ela. Apoiava os braços sobre o parapeito da janela e segurava o rosto, virado para o lado direito, com cara de ressaca. A maquiagem da noite anterior ainda estava grudada nos olhos pouco abertos e a roupa do ontem cheirava a cigarro. Qual a graça em observar um cemitério? O sol daquela manhã que mal havia começado não a atingia diretamente, mas era suficiente para obrigá-la a apertar os olhos enquanto buscava algum sentido para aquela nuvem de pensamentos novos dentro de sua cabeça.  
     Não sabia por qual motivo havia começado a reparar mais no cemitério, só sabia que era muito estranho ter o quarto de frente para lá. Todos os dias, levantava-se da cama sempre cambaleando, e dava um “bom dia” baixinho aos mortos. Antes de começar a pensar sobre isso, fazia como um deboche. Hoje fez em sinal de respeito. Nunca havia conhecido alguém que tivesse ou gostaria de ter um quarto de frente para um cemitério. Na verdade, nunca havia perguntando. Achava que as pessoas podiam se ofender ou taxá-la de feiticeira, bruxa e outras criaturas mágicas do tipo.  
     Mas naquela manhã sentiu que acordou diferente. O frio na barriga havia aparecido depois de tanto tempo sem função no corpo dela. Sentia-se como se perdesse algo que nunca havia tido, mas que um dia teria. Não sabia se ficava feliz ou triste, não sabia como sistematizar, mas sabia que de alguma forma já estava sistematizado, com e sem interferência dela.  
     Desceu o olhar para a direita e viu um amontoado de casas na continuação da sua rua. Do outro lado a mesma coisa, só que com menos casas. Desceu o olhar e viu a rua sem ninguém. Ameaçou um riso. Devia ser a única acordada àquela hora da manhã daquele dia. Nem ligou.  
     Lembrou-se do início de novembro, no Dia dos Mortos, em que o “bom dia” foi especial. Naquele dia o cemitério estava lotado. Ao longe, via pontinhos pretos caminhando por entre os túmulos como formigas perdidas no pote de açúcar. Até a área superior do cemitério, onde não havia muitos túmulos, estava ocupada. Imaginava as pessoas envoltas nos seus choros e velas com gosto de cadáveres e cheiro de flores recém-colhidas.  
     Mas hoje não havia ninguém lá; e olhando devia ser só ela. Lembrou-se da harmonia da última música da noite anterior, lembrou que ia perder algo que não sabia ainda.
     Precisava logo entender a sensação que dominava o corpo todo e arrepiava seu tecido. Não sabia onde mais esconder-se de si mesma. A verdade a queimava junto com os raios solares, ainda intensos. Precisava fazer alguma coisa.  
     Saiu da janela e de casa correndo do jeito que ainda estava vestida. No desespero da busca pelo encontro desencontrado, corria a maior parte do tempo, minimizando os pensamentos confusos com a ofegante jornada até seu destino. Até o cemitério.

Primeira parte de um conto que pode ou não ter continuação, escrito em dezembro, com título de outubro.



- rabiscado por Bruna Werneck às 12h19
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Ao lado dos outros cascos

O celular ainda não havia tocado. Do alto do quinto andar fitava o céu, na esperança de que fizesse mover a Lua. Ninguém a questionava, e desde então passou a achar interessante a idéia de morar sozinha no prédio mais alto da larga avenida. Os móveis bastavam-se em suas cores semidesbotadas de invernos passados. Rondou pela sala, através do escuro, em direção à cozinha. Abriu a geladeira e sentiu-se bêbada. Não ter saído naquela noite começava a fazer sentido. Olhou para o parapeito da janela para ver se a luz do celular estava acesa, sinal de que poderia estar tocando. Não estava. Abriu a primeira garrafa, sentou no banquinho da bancada da cozinha e a bebeu, até o fim. Deixou-a vazia na pia, ao lado dos outros cascos. Apoiou a mão esquerda sobre o queixo e sentiu os olhos cansados. Teve um lapso de memória ao mesmo tempo em que se esquivou para trás, sem se levantar, para conferir o celular novamente. Nada. Levantou-se, tirou o salto alto e o brinco pesado. Colocou-os na pia, ao lado dos outros cascos. Apagou a luz da cozinha e voltou para a estaca zero. Mão esquerda na cintura, mão direita coçando a testa. Olhou novamente para o céu. Pensou alto. Resolveu retornar à cozinha. Pegou a segunda garrafa, sentou-se no banquinho da bancada e a bebeu, até o meio. Despejou o resto na pia e colocou-a, vazia, ao lado dos outros cascos. Que merda ainda fazia rondando por apenas dois cômodos? Foi em direção ao seu quarto, pegando o celular só por precaução, que ainda estava no mesmo lugar. Jogou-o em cima da cama, desprezando qualquer tipo de queda posterior. Abriu o guarda-roupa e pegou seu melhor vestido, que não era necessariamente o mais caro. Era azul, manchado por natureza, curto e tomara-que-caia. Não caiu. Grudou no corpo como uma segunda pele. Entrou na suíte, retocou a maquiagem borrada de tanto esfregar os olhos sonolentos. Apagou a luz, pegou o celular, colocou-o de volta no parapeito da janela e voltou à cozinha. Colocou os sapatos e o brinco pesado, ao lado dos outros cascos, de volta no corpo. Abriu a geladeira, pegou outra garrafa de vinho e bebeu, no bico, até onde agüentava. Quando foi colocar a terceira garrafa na pia, a força não medida resultou num estardalhaço de vidros na madrugada. Riu e deixou pra lá. Contanto que não manchasse o vestido. Já cambaleava. Na volta para o parapeito, o caminho parecia triplicado, contornado por obstáculos, os quais esbarrou a perna ao ultrapassar. Enfim, chegou. Sentou-se na janela, com as pernas para fora; e buscando forças internas, gritou à avenida: eu vou sair de casa! No parapeito, ao seu lado, o celular acendeu. O susto misturou-se com a ânsia de capturá-lo rapidamente e, num vacilo, ela escorregou. Do alto do céu, a Lua fitava a mulher estirada na calçada, na esperança de que fizesse movê-la. Do parapeito da janela, o sinal era apenas de bateria fraca. Seu sangue espalhou-se, até o fim. Deixou-se vazia na rua, ao lado dos outros cascos.

Conto fresquinho com gosto de vinho, postado em seguida de sua conclusão.



- rabiscado por Bruna Werneck às 02h00
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Meu coração, seu cigarro, nosso pulmão

Ao longo do cais eu era substituída por uma mulher mais fraca do que eu, observando os guindastes. Hesitei muitas vezes em deslocar a rota, perder-me pelas ruas e sair da cidade. Mas voltei. E como um robô de apenas uma função, já estava parada na porta de casa. De novo.
Saí do carro com raiva. Uma raiva que me lembrou um filme em que um homem puxa a Lua pra mais perto da varanda para seu amor. Não ligo pra isso. Não ligo pra nada. E quem fez aquilo com minha roseira? Minha porta de casa estava imunda. A terra sujou meu salto 15 que comprei pensando em você, pensando em furar seu pulmão. Sujei dentro de casa, joguei meus sapatos na cozinha e mordi a boca com tanta força que não senti meus lábios por dois minutos.
Tudo culpa do cigarro. Tabaco seco picado enrolado em mim, que virei o papel que você fumava. E eu que odiava tanto o cheiro que ficava em mim quando te beijava, pago agora o preço. O preço de cinco maços por dia no bar da rua de baixo.
Quando você entrava por aquela porta comigo, eu fumava sem culpa. Não ligava se minha língua ia ficar com o mesmo gosto da sua, não fazia questão nenhuma de bala de hortelã. Não tinha hora pra ir embora. Fumávamos sem pressa, ficávamos sem fôlego. A menor oxigenação resultava muito cansaço. Você sabe disso melhor do que ninguém e mesmo assim fumava. Achava isso maravilhosamente perigoso. Meu fluxo de sangue diminuía junto, mas eu nem sentia. Eu só sentia você.
Nicotina, xileno, tolueno, cetonas, amônia, benzeno, níquel, cianeto, polônio. Sei as definições até hoje. Eu prestava atenção em todas as aulas de Química pra saber o que era aquilo que conseguia me deixar perto de você, o que você tanto gostava. Cheguei a fazer uma carta comparando tudo isso, mas a queimei com o mesmo fósforo que acendi o cigarro ao terminar de escrevê-la. Ninguém sabe, mas você continua sendo minha maior inspiração.
Eu era o cowboy da propaganda de cigarro. A Cruella de Vil dos seus filmes. Mas você não tem mais tempo pra televisão. Nós ficávamos tão entretidos vendo os filmes naquela televisão pequena do seu quarto menor ainda que não cabíamos em nada. Ainda não cabemos.
Só eu sei o que foi chegar em casa hoje e ter que estragar a única coisa que furaria o que tanto você faz questão de estragar com esse vício que me consome mais do que você mesmo. Eu nunca estive tão magrela, tão pálida, tão sem forças. E a única coisa que havia me deixado bonita hoje à beira do cais eu consegui estragar; e também amassar minha geladeira. E isso me lembra que nem posso mais inventar a desculpa de consertar alguma coisa aqui em casa. Você não mora mais aqui. Você não vem mais nessa cidade.
Então eu pensei em sair do litoral. Voltar àquela cidade, nem pequena nem grande, e te achar naquele bairro simpático. Fiquei no quase e continuo nele. Será que você faz idéia que eu estou a um fio do infarto literal? Será que você ligaria? Será que você voltaria? Não tínhamos contrato, mas você poderia ter ficado. Meu drama virou palhaçada quando vi que os outros não sentiam mais sua falta. Só eu.
Sentei no sofá dividindo espaço com as sete almofadas que você tinha me dado com os dias da semana. Fiquei abraçada com duas delas e joguei o resto no chão. Eu não ia chorar. Eu não tinha mais tempo pra isso. Essa droga era evitável, mas eu não consigo mais te largar. Fumar você me consumia tanto que eu já não sei mais o que fazer com o tempo que sobra.
Tentei mover minha carcaça cadavérica. Tropecei na “quarta-feira” e bati a cabeça na mesa de vidro do centro da sala. Aos poucos, o sangue escorrendo da testa fazia uma poça, junto com os montes de cinza do chão.
Engoli a seco uma saliva que ainda restava na boca seca. Lembrei de você vestido em tons pastéis e do seu jeito sedutor que nunca vi igual. A fumaça embaçou minha vista. Fiquei no chão. Só não sabia ainda se era câncer ou cansaço.

Conto escrito do dia 29 para o 30 de agosto de 2010.



- rabiscado por Bruna Werneck às 00h47
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As vozes da consciência

 Foi só a maldita bateria do meu celular ter acabado, assim que coloquei os fones de ouvido, no momento em que pisei fora da escola, pro meu inferno começar. Andar sozinha até em casa sem música me deixa triste e nem o sol daquela tarde, que parecia iluminar toda a extensão cabível no universo naquele dia, estava desviando o pensamento dos incontáveis quarenta minutos até aquele maldito bairro. Tirei o casaco, respirei fundo e dei o primeiro passo. Resolvi ir pelo caminho mais longo, por mais paradoxal que isso pareça. Não me importava mais. Já que estava sem música, era melhor absorver todos os sons existentes permitidos (e os proibidos também). Entrei em um estado de completa recusa aos outros sentidos. Tateava, cheirava, olhava e lambia pelos ouvidos. Escutava pelo coração. Divagava enquanto andava. Foi quando comecei a reparar nas meias conversas que escutamos quando passamos por pessoas conversando na rua.
- Você faz uma promessa pra (carros me atrapalham nessa parte)...Ou então você faz qualquer outra coisa.
Eram duas crianças andando lentamente, e eu as cortava no passeio por conta do adjetivo que acompanhava o andar. Será que algum deles estava com medo de ficar na recuperação? Será que tínhamos ali filhos que escutaram os pais conversando da possível separação?
Continuei andando, virando a esquina. Desliguei-me por um momento quando passei por dentro da feira de rua. As cores me fascinavam e o cheiro de fritura de pastel lembrava que a fome começava a aparecer. Foi quando uma linda garotinha ruiva apontou ao longe e puxou a mão do homem que estava com ela, dizendo:
- Pai, olha lá! Tem dois!
Essa foi bem difícil de imaginar. Afinal “tem dois” o que? Dois pastéis queimando em alguma barraca? Dois moços vendendo algodão-doce? Dois anéis no chão? Dois amigos ao longe? Tinham todas as duas coisas no masculino eu podia imaginar. Preferi deixar a alegria da feira para trás, e ultrapassar toda a praça tentando tapar os ouvidos com a força do pensamento.
Virei a esquina, a noite caía e ainda estava longe de casa. Dois jovens conversavam em seus carrões, com uma garrafa de cerveja em cima de ambos os tetos dos carros.
- Nem se ele vender ela barato acho que eu fico.
Seja lá o que for (seja lá o que for mesmo), tenho certeza que poderiam comprar pelo preço que fosse. Mas analisando a construção da frase, boa coisa não devia ser. Confirmei uma hipótese cogitada mentalmente, quando ouvi a seguinte frase aleatória de um dos garotos.
- Só fico fazendo serviço assim...Esses cara faz, faz, faz, e...não é?
Era melhor continuarem bebendo ali. E era melhor eu apertar o passo.
Havia chegado a rua mais tradicional em que eu passava, onde faça sol, faça chuva, faça dia, faça noite, os velhinhos ficavam sentados, incansáveis, jogando baralho. Foi quando um senhor todo em tons pastéis, comentou com sua dupla:
- Teve um belo dia oito...nove...dez e pouca da manhã...
Fato é que a tal coisa aconteceu em um desses horários, ou em nenhum desses. Pensei em cartas, baralho, velhinhos. Então concluí, quase que com prepotência, que a única coisa que poderiam estar fazendo era jogando baralho naquele mesmo lugar. O horário era segundo plano, pouco importava. Nenhum deles usava relógio. Aí entendi a indecisão do senhor bege.
Atravessei a rua. Estava próxima a um cruzamento em que, tinha certeza, haveria também cruzamento de vozes e poucas hipóteses.
- Eu tô querendo pegar férias. (Um trabalhador escorado na porta da loja, conversando com outro funcionário.)
- Você vai demorar? (Uma mulher na porta de um edifício, direcionada ao marido que saía com o carro.)
- Você é muito fraca na sua fé. (Uma senhora de mãos dadas com uma criança, conversando lado a lado com uma possível amiga.)
- Você disse que tava na outra vaga...Aquela dali! (Uma moça impaciente, com o possível namorado.)
Não tirei conclusões, não devaneei, nem fiquei imaginando resultados. Continuei andando, rindo sem mostrar os dentes e com a cabeça baixa. Já estava na rua de casa, e podia ver minha pequenininha lá ao fundo. Comecei a refletir sobre o que estava fazendo. Como podemos passar por tantas conversas todo o tempo quando andamos e não reparamos em nada? Como passamos alheios às vidas que supostamente são alheias a nós? É tudo culpa desse meio caleidoscópio de sociedade que me alucina. Dizem que é feio reparar a conversa dos outros. Mas e quando as pessoas querem fazer com que você as repare? Não é falta de educação, não é falta do que fazer. Reparar essas meias conversas é quase que uma resposta, ainda que silenciosa, àqueles que não são notados.
Cheguei, finalmente, em casa. Abri a porta, acendi a luz. Joguei minha bolsa no sofá e corri para achar meu carregador. Coloquei meu celular para carregar, senão poderia esquecer depois. E ainda pensando numa suposta teoria que minha mente incansável resolveu inventar hoje, abri a janela da sala. Foi quando ouvi duas pessoas falarem ao longe. O tom era alto, mas não eram gritos, nem briga.
- Se tivesse decência não fazia isso!
- Se fosse ruim não fazia!
Vesti a carapuça e fechei a janela. Prometi a mim mesma que só prestaria atenção em conversas esporádicas de rua quando tivesse a certeza de que meu celular estaria com bateria suficiente para, a qualquer momento, me tirar daquele mundo de vozes.

Conto escrito no dia 1º de agosto de 2010, na última tarde das férias de inverno.



- rabiscado por Bruna Werneck às 19h59
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Vermelho sangue

Passava da meia-noite. A madrugada entranhava pelos seus poros como nunca havia sentido. Sentada na poltrona rasgada que ficava de frente para a janela da sala, o vento a fazia imaginar coisas que ninguém entenderia. O segundo andar daquela espelunca nunca fora tão útil em termos de apreciação de paisagem. Passou um, passaram três, sete carros na rua. Decorou suas cores e gravou em pensamento o que passou em alta velocidade. Desejou ser como ele. Continuou mais dez minutos (cravados) sentada na velha poltrona. O vinho que abrira já estava pela metade; e a taça, com um mínimo quebradinho na borda, vazia. Encheu-a até a boca desprezando qualquer tipo de educação psicológica...Ninguém a estava vendo mesmo. Virou como água, desceu como vodca. Levantou, chutou as pantufas mofadas pelo ambiente do apartamento e direcionou-se até seu quarto. Vestiu um sobretudo preto por cima do pijama vermelho curto. Calçou uma bota também preta, de rodeios passados. Fez qualquer coisa na cara com um toco de lápis de olho e um resto de batom vermelho que restava na penteadeira infestada de cupins. Amarrou o cabelo pra cima e saiu, deixando para trás a poltrona, a garrafa e a taça. Desceu a escada que rangia, tentando em vão pisar de leve. Chegou, finalmente, à porta do prédio, com os vidros quebrados. Saiu andando devagar pela rua iluminada pelos postes. Não pronunciava palavra alguma desde que o relógio dera doze badaladas. Caminhava sentindo que havia feito péssima escolha da bota, que já apertava os pés. Ignorava a necessidade de ficar descalça. Ignorava o banho que não havia tomado. Ignorava-se. Andou por toda a rua que conhecia e, chegando à esquina, hesitou em continuar. Nunca havia parado. Nunca tinha medo. Mas essa madrugada a arrepiava tanto que teve o medo acumulado das noites que não teve. Um medo de não parar de sentir o que sentia, nem se amanhecesse. Depois parou e sentou, uns dois metros antes de chegar à esquina. Pela primeira vez, em anos, teve que parar pelo medo. Parou e teve medo. Parada teve medo. Abaixou a cabeça, sentada embaixo de um poste. Viu pingar gotas vermelhas de seu rosto. Por segundos apenas observou, depois foi procurar de onde vinham. Pingavam de seu lábio inferior. Lembrou-se da maldita taça quebrada. Colocou a mão na ferida, tentando estancar o sangue. Limpava com a gola do sobretudo. Fazia tudo sem falar. Nada. Ninguém. Só ela e as luzes da madrugada. Contou até dez, cinquenta, cem. No noventa e nove olhou para o lado da esquina. Esperava ver uma sombra qualquer, pelo menos para se sentir ameaçada ou acompanhada. Nem isso havia. Estava sozinha. Olhou para os pés doloridos, a boca sangrando e o nariz escorrendo. Ficou sentada a dois metros da esquina e a milhas da felicidade. Sozinha...

Conto escrito a partir do meio-dia de hoje.



- rabiscado por Bruna Werneck às 13h31
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Dose extra dramática

    “Então é Natal. E o que você fez?” Não sou a pessoa mais indicada a falar de Natal, já que nesse dia assisto O Estranho Mundo de Jack ou O Grinch, além de pouca vocação para congratulações.
    Fato é que esse ano está um pouco diferente dos demais. Muita coisa acontecendo, muita gente indo e vindo, pouca gente permanecendo. E um Natal bem incomum dos que vêm concretizados. Nos últimos dois anos, o cenário era a casa da minha tia e eu sempre recebia uma ligação. Resultado de 2009: minha tia viajou para Portugal, eu tive que fazer a ligação, e ainda fiquei em casa na base do vinho com jujuba. Na verdade, ainda estou nessa base.
    Toda essa introdução sem lógica, pisando em falso, cambaleando na calçada e sem a mínima aparência de conclusão é pra dizer que eu não me sinto bem nesse momento, que também é o mais propício para eu escrever uma estupidez qualquer. A insatisfação guardada veio à tona logo hoje, um dia supostamente feliz e farto, onde todo mundo se entope de peru, espalha papel de presente pela sala e depois liga a televisão só pra fazer um barulho além da falação que os parentes arrumam. Nunca me senti tão sozinha hoje, apesar de estar com a minha família.
    Preciso escrever aqui porque não tem ninguém online, uma das minhas melhores amigas mudou de cidade sábado passado, meus outros amigos viajaram e só voltam sabe Deus quando, está tarde e, ainda por cima, estou tentando canalizar a patética esperança de que 3 da manhã de hoje será quase igual às de dois anos atrás.
    O mais estranho é vir falar de uma coisa que eu adorava e que hoje acho triste depois de tanto tempo sem postar. Deve ser o cansaço, a blusa que não serviu, meu choro apertado, o Grinch, o Jack, a expectativa com 2010, as jujubas...
    Ou o vinho.

Texto feito na madrugada do dia 25 de dezembro de 2009 e postado hoje com a segurança que me faltava naquele dia.



- rabiscado por Bruna M. W. de Freitas às 16h41
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Que feio, Bruna! Você não pode fazer isso!

Olho para a data abaixo desse post e me faço perguntas surreais. Dessa vez eu superei todos os meus recordes de abandono bloguístico temporário. Fevereiro é sacanagem! Esse é o problema de ser detalhista: você faz um milhão de textos todos os dias. Depois a seqüência de corrige-exclui-salva-exclui persegue até você perceber que todas aquelas palavras que custaram a sair estão uma merda. E você desiste de escrever. Espera passar uma prova importante, fica preocupada com a nota que tirou em Matemática, entra no Orkut, Twitter e por lá fica. E o blog vai ficando de lado. Tão de lado que, se olhar de longe, você nem enxerga mais. A verdade é que eu mereço umas porradas por não escrever a tanto tempo, pois sei que uma ou outra pessoa me acompanha aqui para ver se eu já parei com essa mania estranha de parar dois meses e escrever um. Obrigada, vocês poucos, por não desistirem dos meus devaneios.

O tempo (ainda bem) passou e várias coisas interessantes aconteceram. Odeio post estilo “olhem as novidades e se matem”, mas é uma obrigação organizar a linha de raciocínio que, sabe Deus como, mantém essa Rua aberta.

1º) O triste fim do Tudo de Blog: Quem acompanha a "Capricho" já está ligada que a seção das blogueiras acabou na revista, e eu tive a honra de fechar esse grupo em 2010! Entrei no grupo em 2008 e de 2008 a 2010 saí duas vezes na revista, das quais me orgulho muito. Conheci meninas completamente diferentes de mim que me completaram. Como eu digo, chega uma hora na nossa vida que as coisas simplesmente passam. E o Tudo de Blog passou, mas está eternizado nas linhas e no tempo que dediquei às pautas...MAS (adoro “mas”) como nós não nos contentamos em falar por lá, algumas ex-tudebloguetes encabeçaram uma nova etapa, pós TDB, para as ex-TDB que se interessarem. Eu, claro, me interessei e estou participando. Por aqui adianto que vocês vão adorar essa novidade. Quando tudo estiver pronto, postarei aqui. Sério, vou postar! É questão de honra agora manter a bagunça organizada nessa Rua suja que jazia.

2º) O lindo início na equipe Depois dos Quinze: Quem acompanha Bruna Vieira e seu blog (www.depoisdosquinze.com) sabe do que estou falando. Fui convidada pela queridíssima para fazer parte da Equipe DDQ, escrevendo aos domingos sobre Comportamento. E assim estou fazendo! Viram? Eu estou escrevendo! Lá no Depois dos Quinze meu nomezinho é Bw. Por nós duas chamarmos Bruna tem muita gente confundindo nossos posts! Os meus são assinados Bw, os dela Br. Escrevi três domingos até agora e meus textos foram “Auto-estima”, “Determine-se” e “O Depois da Despedida”. Confiram lá e comentem sempre. Lá eu não falho, e espero trazer essa realidade para minha Ruazinha ex-abandonada.


A Rua voltou a ser iluminada. Paguei as contas de água e luz. Agora falta podar as árvores e dar um jeitinho nessas pichações. Não fiquem perdidos porque já varreram a rua também. A dona vocês já conhecem - e ela promete jogar o jornal na porta de suas casas sempre que der.



- rabiscado por Bruna M. W. de Freitas às 23h04
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Desabafo de Verão 2010

   O que as pessoas pensam de uma garota que sonha ser jornalista e que passa quase dois meses sem escrever algo com mais de 140 caracteres? Melhor: o que EU penso dessa pessoa?
   Eu penso que essa pessoa tem pensado demais.
   Resposta esperada? Clichê? Com certeza. Viver é ser clichê. Tem coisa mais clichê que se apaixonar? Mais clichê que ter um coração quebrado? Mais clichê que sentir saudade de uma coisa que nunca existiu? Mais clichê que insistir sem fé nenhuma? Mais clichê que escutar música triste para ficar pior e ter um motivo para escrever? Pois é. Fui clichê na minha resposta porque sou clichê. E você também vai descobrir que é.
   Não, o bichinho do drama não me mordeu, nem tenho a síndrome do “ninguém me ama, ninguém me quer”. Também não sei o nome do sentimento que tem me feito perder a vontade de escrever, de me mover, de aparecer. Não é amor, nem férias, é o meu clichê: aquele que eu caio toda vez que o verão chega, toda vez que eu troco calça jeans por short e saia florida, toda vez que o suor escorre na minha pele, toda vez que o que eu mais quero é um copo d’água...O clichê que me faz confirmar frases e levar choques de realidade logo em seguida. Só que ninguém nunca entende o que realmente se sente. Verdade seja dita: quantas pessoas tentam saber o porquê da atitude de uma pessoa antes de condená-la? Conta-se nos dedos numa soma finita e rápida. O mundo é cheio de unhas prontas para arranhar sem ao menos conversar para entender. Mas, ainda achando que não querem seu bem, por acaso você começa a ter um novo ponto de vista a partir daquilo que sempre te falaram e você nunca escutou (até agora). A cabeça pesa, a boca treme, os olhos ficam inquietos, a raiva por si mesma toma conta do seu corpo inteiro e as unhas, que antes te arranhavam, agora refletem machucados feitos por você em seu próprio corpo.
   É aí que você se sente vazia e perdida; mais ainda quando passa a maior parte do dia sozinho indo e vindo pela mesma rua já marcada por seus passos cansados, culpando-se de algo inexistente, chorando inexplicavelmente, querendo um colo para chorar e dormir, sorrindo para o velho conhecido na rua e implorando à sua consciência para que ele não veja a angústia interna refletida em seus olhos. A boca pode mentir, os olhos não. Os olhos entregam o sentimento e a maquiagem não pode esconder isso. Os olhos dizem em um segundo o que se demora anos para entender. Meus olhos agora falam por si só o que eu tentei escrever aqui; porque escrever é fácil, difícil é encarar a realidade. Mais difícil ainda é se abster de um mau hábito. Pior ainda é continuar a tê-lo.



- rabiscado por Bruna M. W. de Freitas às 00h36
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Triste

É. Tive que abrir mão de todos os comentários com Haloscan do meu blog por causa desse maldito capitalismo invadindo até um simples sistema de comentários! Foram histórias por comentários, palavras transmitindo força de vontade, pessoas elogiando, sentindo o que eu escrevia, criticando de alguma forma que me completou muito. Sou uma pessoa muito apegada a tudo. Muito mesmo. Esse comentários vão me fazer falta, mas venho através desse post agradecer a todos que de alguma forma gastam um tempinho lendo o que eu escrevo e comentando sobre. Obrigada mesmo. Agora um pedido: arrebentem com o Haloscan e comentem muuuito no UOL Comentários.



- rabiscado por Bruna M. W. de Freitas às 20h14
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"Pay $10 or lose all of your blog comments"

Detesto ser portadora de notícias ruins, além de postar depois de muito tempo com esse tipo de assunto. O caso é que o Haloscan is getting upgraded to Echo e, além disso, também será pago. Sim, usuário deste sistema de comentários, eis aqui seu presente de Natal. Estamos no mesmo barco. E isso não é nada do tipo Orkut pago, MSN pago, menu iniciar do Windows pago ou qualquer outra lenda. Vocês podem conferir aqui http://blog.js-kit.com/2009/12/09/haloscan-is-getting-upgraded-to-echo/ (faço questão de deixar o link inteiro) e se morderem de raiva, assim como eu. Venho avisar que, com muita tristeza, vou abrir mão de todos os comentários do meu blog feitos pelo Haloscan a partir de agora. Provavelmente terei que usar o do UOL mesmo, já que sou completamente noob em PHP, CuteNews etc (se alguém puder me ajudar com isso agradeço muito). Na marra estou tendo que aprender a arte do desapego. E também estou com muita, muita raiva, já que o Firefox também resolveu ficar contra mim. Computadores e softwares são as maiores inovações. Mas como a máquina é desligada pelo botão de "Iniciar", eu tenho minhas dúvidas. Volto mais tarde, menos raivosa.



- rabiscado por Bruna M. W. de Freitas às 16h54
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Em 2010...

Os astros continuarão dizendo que é tempo de mudanças e que, para todos os signos, a única coisa a se fazer é acreditar no poder de seus sonhos e lutar. Enquanto você tira a poeira do seu boné “Brasil Hexa” de 2006 para usar, o sentimento patriota presente de quatro em quatro anos vai se alastrar durante a Copa. A China vai inventar mais um robô “amigo” dos homens que estará presente em uma dessas feiras de Ciência e Tecnologia. A programação da TV brasileira será infestada de propagandas políticas patéticas que prometem crescimento, educação, saúde e qualidade de vida com Zés da Padaria e isso estressará profundamente quem vê novela das “oito”. O Big Brother Brasil 2010 vai contar com gostosas, malhados, coitados e pentelhos, estereótipos clichês a despertarem comentários de sempre. As pessoas vão reclamar do preço do gás, da queda da bolsa, da política, da violência e do calor. Lady GaGa vai continuar bombando, Obama vai continuar pagando de bonzinho com o sorriso simpático e Sílvio Santos vai continuar tranqüilo e calmo conduzindo o SBT. Já eu vou continuar tentando entender Matemática e aperfeiçoando minhas ironias.


Pauta para o Tudo de Blog - Quais as suas previsões para 2010? A Lady Gaga vai conseguir ficar no topo dos sucessos? Algum querido vai morrer? Brit vai dar aloka de novo? O Brasil vai ganhar a Copa? Enfim, a ideia é tentar dar uma de vidente e imaginar o que rola no mundo em 2010.



- rabiscado por Bruna M. W. de Freitas às 18h58
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Da arte de ser mais um

de Tati Bernardi

"Acontece de repente, quando acaba o pão de queijo no café com revistas ao lado do prédio que tem cheiro de umidade. Um dia que não prometia absolutamente nada, talvez chuva, mas nem isso se cumpriu. Não é dia de trânsito nem de acidente. Não é véspera de nada e tudo vai tão calmo que você poderia até esquecer o celular em algum lugar e só se dar conta no dia seguinte, na hora do despertador. Naquele segundo, lá no café sem pão de queijo, você topa o pão de batata mesmo, se esquece um segundo pra ver uma chamada do Caderno 2 e sabe que foi aceito. Simples assim. Você está há meses indo de escova e lápis de olho e nada. Você levou todos os seus livros e algumas reportagens que saíram falando de você, e nada. Você tentou ser inteligente, ágil, prestativo, misterioso, difícil, fazer piadas sexuais, nada. Até que numa tarde, de repente, porque já acostumaram com a sua cara ou só porque enfim sua natureza legal venceu a sua vontade de ser legal, você se torna mais um. Você consegue, finalmente, ficar em silêncio ao lado das pessoas, e as pessoas conseguem, finalmente, gostar de você mesmo, ou principalmente, porque você, finalmente, ficou em silêncio. E então você é mais um. E tanta dor de barriga e medo, tudo aquilo que faz você se sentir tão especial. Você esquece que é especial e se torna mais um. Só mais um a comer um pão de batata velho desejando o pão de queijo recém saído do forno. Só mais um. E no meio de tanta gente querendo provar coisas, você dá o desconto e só as escuta. E de repente, estão fazendo silêncio para escutar você. E, de repente, pela primeira vez, porque dessa vez sim é a sua vez, você diz algo e todos riem de modo a te mostrar que você conseguiu. E você não tem mais dor de barriga e nem ódio e muito menos ânsia de vômito. Você não tem nada, você tem é uma massa que se mistura e sente tanto com todos que se anula. Se anular, você vai descobrir, era só o que você precisava pra ser feliz. Ser mais um, você vai descobrir, é o que faz a gente passar meses exaltando o que somos. O fim de toda a arrogância e genialidade é uma simples frase do tipo “ah, você já vai?”. Fazer falta é simples, popular, sem nenhuma dramaticidade e quase não dá bons textos. Ser sozinho rende o mundo, mas me parece tão pequeno perto dos meus passinhos de dança, depois, ao chegar em casa."

Tudo o que eu precisava ler e, agora, compartilhar.



- rabiscado por Bruna M. W. de Freitas às 00h42
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