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Edit 2: O meu sistema de comentários (Haloscan e/ou UOL) estão piores do que nossos políticos. Por aí, já deu pra ver o quanto será trágico e desagradável. Peço que não se desequilibrem mentalmente com o "Erro na página" e o ícone amarelinho lá em baixo. Enquanto eu não conseguir arrumar, teremos que viver em paz com eles - principalmente eu.
Edit 1: Ah, isso aí mesmo. Já mudei o nome do blog (e estou na mira de pessoas por isso). Brincadeirinha. Mas então, mudei e ponto. Mudei o layout também. Ah, resumindo. Mudei, e só.
Do ponto de vista prático, a atração gravitacional da Terra confere peso aos objetos e faz com que caiam ao chão quando são soltos no ar. (http://wikipedia.org)
Férias me lembram a cidade de Juiz de Fora, Juiz de Fora me lembra casa dos meus tios e primos, a casa deles me lembra o cachorro deles – cujo nome irônico é Montanha, já que ele é um basset mínimo -, e o Montanha me lembra gravidade.
Calma, eu - ainda - não estou ficando louca.
A história toda começou quando eu fui pra lá em 2004 - bastante tempo - com meus pais e a peste - irmão - como sempre faço nas férias de Dezembro, passar uns dias na companhia da prima, dos primos, tia, tio e Montanha.
Depois de mais um dia - chuvoso como sempre - de subir e descer calçadões, entrar e sair de lojas, nós voltamos para casa. Colocamos o Montanha na coleira e saímos – de novo - para andar.
Já passava das 22 horas. Eu, minha mãe, meu irmão, minha prima e um dos meus primos andávamos felizes com o Montanha pelas ruas empoçadas, com pingos caindo das marquises - certeiros na ponta do nariz -, com o sereno iluminado pelos postes e com poucas pessoas à vista.
Dobramos para uma rua – lembro direitinho dessa hora - e eu comecei a desvirtuar o momento:
- Ah! Imagina se não existisse gravidade?
O pior de tudo foi que ainda deram corda. Primeiro todos me olharam com um ar de desentendimento crônico. Depois começaram a me explicar sobre a gravidade desde os primórdios do mundo. As frases a seguir mostram até onde um assunto do qual eu não tenho know how nenhum leva as pessoas.
- Ah, daí a gente estaria voando nesse exato momento.
- É...Tem a ver com o núcleo e tal.
- Voar deve ser bem legal.
E eu, toda feliz por terem continuado uma pergunta minha – e afetada pelo cansaço -, “mostrei” como seria um mundo sem gravidade.
Se você pensou que fiquei pulando, subindo em canteiros altos e caindo “tentando voar”, (in)felizmente acertou. Era uma clara peça teatral em plena rua e a atriz principal não poderia ser outra. Andamos mais um pouco e demos meia volta. Voltamos para casa.
Até aí, a gravidade ainda não tinha saído de nossas cabeças – que diria do corpo.
Fomos todos dormir e, no dia seguinte, ninguém mais se lembrou do ocorrido.
Não sei porquê, mas fiquei com isso na cabeça – e continuo - até hoje. Eu realmente não sei como, lembro de cada passo, cada voz, cada riso. Tudo bem, eu me conformo. Já que certas coisas – ainda que inúteis – não são esquecidas se lembradas por mais de anos.
"Deixamos de sentir o que a gente sentia / E que trazia cor ao nosso dia a dia / Deixamos de dizer o que a gente dizia / Deixamos de levar em conta a alegria / Deixamos escapar por entre nossos dedos / A chance de manter unidas as nossas vidas." (Amanhã Ou Depois - Nenhum De Nós)
Hoje acordei mais cedo que o de costume. Meio assustada, fui caminhando ainda dormindo para a cozinha. Parei perto da janela que dava para o fosso do prédio. Olhei lá pra baixo. Não sei porque olhei, mas olhei. Nunca tinha olhado para aquele lugar, já não gostava de morar ali e muito menos olhar para o pior lugar daquele pesadelo interminável. Olhei, e mesmo não enxergando muito bem, vi uma pessoa.
Fiquei mais assustada do que já estava. Meu pai ainda estava dormindo e, sozinha no escuro, eu permaneci imóvel a ver a pessoa.
O dia não parecia ser um dos melhores. Começou errado e continuava estranho. Fui tomar um banho, pra ver se parava de pensar besteira. Consegui abrir meus olhos e, curiosamente, fui ver se a pessoa ainda estava no fosso. Não estava.
Logo, com todo meu barulho às 5 da manhã, meu pai acordou. Perguntou por que eu estava acordada e me mandou voltar a dormir. Falei que tinha que sair. E fui.
Já tinha andando um bom pedaço da avenida quando vi um garoto. Não vou negar, era bem bonito e parecia só um ano mais velho do que eu. Ele estava com a cabeça baixa, sentado na calçada.
Ele podia ser qualquer um, mas eu resolvi parar. Sentei ao lado dele e perguntei o porquê de ele estar ali àquela hora. Ele respondeu com a mesma pergunta. Ficamos nos olhando. Ninguém dizia nada e ninguém sabia o que dizer.
Não acredito em destino e, dessa vez, ele conseguiu mexer comigo. Pegou-me de surpresa. Às vezes estava querendo brincar, só para eu poder acreditar nele. E o destino do garoto? Agora ele estava comigo, era parte de mim, pra sempre.
Depois de tanto olhar nos olhos dele e sentir a sua presença comigo dali para frente, ele me abraçou. Pediu desculpas por ter demorado tanto e chorou. Disse que eu não o merecia, mas faria de tudo para poder ter o meu amor.
Eu, porém, já estava apaixonada por ele. Foi naquela manhã mesmo, desde que o tinha visto, no fosso escuro do meu prédio, com uma rosa vermelha nas mãos, olhando para mim e gritando para todo mundo ouvir: eu te amo.
Conto criado por mim no domingo, 14 de outubro de 2007, às 21:20h.