Ilusões

"Escrevo sem pensar, tudo o que o meu inconsciente grita. Penso depois: não só para corrigir, mas para justificar o que escrevi." (Mário de Andrade)

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Ilusionista Iludida

Bruna Montes Werneck de Freitas, 16 anos, interior de Minas Gerais, 2º ano do Ensino Médio. Faço curso técnico em Mecânica e em Piano. Poucas semanas para formar no curso de Inglês. Quero ser jornalista, poliglota e escritora. Admiradora incondicional de Tim Burton, Johnny Depp e Space Cowboy. Botafoguense de coração e apaixonada por Veneza. Um tanto quanto inconstante, impulsiva, crítica e sensível. Prefiro ler, rascunhar textos, dormir ou dançar a noite toda. Louca por literatura, gramática, coerência, coesão, moda, música, cinema, teatro, maquiagem, vinho tinto suave, unhas vermelhas, jogos de cartas, idiomas e festas. Às vezes, negocio. Outras, notifico. Senta aí e toma uma xícara de café comigo.

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Obrigada

Layout e conteúdo por mim, HTML por Érika e imagem por Deviantart.


GRAVIDADE

Edit 2: O meu sistema de comentários (Haloscan e/ou UOL) estão piores do que nossos políticos. Por aí, já deu pra ver o quanto será trágico e desagradável. Peço que não se desequilibrem mentalmente com o "Erro na página" e o ícone amarelinho lá em baixo. Enquanto eu não conseguir arrumar, teremos que viver em paz com eles - principalmente eu.
Edit 1: Ah, isso aí mesmo. Já mudei o nome do blog (e estou na mira de pessoas por isso). Brincadeirinha. Mas então, mudei e ponto. Mudei o layout também. Ah, resumindo. Mudei, e só.

 Do ponto de vista prático, a atração gravitacional da Terra confere peso aos objetos e faz com que caiam ao chão quando são soltos no ar. (http://wikipedia.org)
 Férias me lembram a cidade de Juiz de Fora, Juiz de Fora me lembra casa dos meus tios e primos, a casa deles me lembra o cachorro deles – cujo nome irônico é Montanha, já que ele é um basset mínimo -, e o Montanha me lembra gravidade.
 Calma, eu - ainda - não estou ficando louca.
 A história toda começou quando eu fui pra lá em 2004 - bastante tempo - com meus pais e a peste - irmão - como sempre faço nas férias de Dezembro, passar uns dias na companhia da prima, dos primos, tia, tio e Montanha.
 Depois de mais um dia - chuvoso como sempre - de subir e descer calçadões, entrar e sair de lojas, nós voltamos para casa. Colocamos o Montanha na coleira e saímos – de novo - para andar.
 Já passava das 22 horas. Eu, minha mãe, meu irmão, minha prima e um dos meus primos andávamos felizes com o Montanha pelas ruas empoçadas, com pingos caindo das marquises - certeiros na ponta do nariz -, com o sereno iluminado pelos postes e com poucas pessoas à vista.
 Dobramos para uma rua – lembro direitinho dessa hora - e eu comecei a desvirtuar o momento:
 - Ah! Imagina se não existisse gravidade?
 O pior de tudo foi que ainda deram corda. Primeiro todos me olharam com um ar de desentendimento crônico. Depois começaram a me explicar sobre a gravidade desde os primórdios do mundo. As frases a seguir mostram até onde um assunto do qual eu não tenho know how nenhum leva as pessoas.
 - Ah, daí a gente estaria voando nesse exato momento.
 - É...Tem a ver com o núcleo e tal.
 - Voar deve ser bem legal.
 E eu, toda feliz por terem continuado uma pergunta minha – e afetada pelo cansaço -, “mostrei” como seria um mundo sem gravidade.
 Se você pensou que fiquei pulando, subindo em canteiros altos e caindo “tentando voar”, (in)felizmente acertou. Era uma clara peça teatral em plena rua e a atriz principal não poderia ser outra. Andamos mais um pouco e demos meia volta. Voltamos para casa.
 Até aí, a gravidade ainda não tinha saído de nossas cabeças – que diria do corpo.
 Fomos todos dormir e, no dia seguinte, ninguém mais se lembrou do ocorrido.

 Não sei porquê, mas fiquei com isso na cabeça – e continuo - até hoje. Eu realmente não sei como, lembro de cada passo, cada voz, cada riso. Tudo bem, eu me conformo. Já que certas coisas – ainda que inúteis – não são esquecidas se lembradas por mais de anos.



- rabiscado por Bruna às 23h55
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O DIA QUE NÃO TERMINOU

"Deixamos de sentir o que a gente sentia / E que trazia cor ao nosso dia a dia / Deixamos de dizer o que a gente dizia / Deixamos de levar em conta a alegria / Deixamos escapar por entre nossos dedos / A chance de manter unidas as nossas vidas." (Amanhã Ou Depois - Nenhum De Nós)

 Hoje acordei mais cedo que o de costume. Meio assustada, fui caminhando ainda dormindo para a cozinha. Parei perto da janela que dava para o fosso do prédio. Olhei lá pra baixo. Não sei porque olhei, mas olhei. Nunca tinha olhado para aquele lugar, já não gostava de morar ali e muito menos olhar para o pior lugar daquele pesadelo interminável. Olhei, e mesmo não enxergando muito bem, vi uma pessoa.
 Fiquei mais assustada do que já estava. Meu pai ainda estava dormindo e, sozinha no escuro, eu permaneci imóvel a ver a pessoa.
 O dia não parecia ser um dos melhores. Começou errado e continuava estranho. Fui tomar um banho, pra ver se parava de pensar besteira. Consegui abrir meus olhos e, curiosamente, fui ver se a pessoa ainda estava no fosso. Não estava.
 Logo, com todo meu barulho às 5 da manhã, meu pai acordou. Perguntou por que eu estava acordada e me mandou voltar a dormir. Falei que tinha que sair. E fui.
 Andando sozinha pela larga avenida, que pouco a pouco era enfeitada com carros e ônibus, eu seguia. Encontrei uns jovens totalmente bêbados, voltando provavelmente de uma festa. Encontrei uns homens de uniforme, que pegavam ônibus para irem trabalhar. Vi umas senhoras lavando as varandas de suas casas e uns senhores jogando baralho na praça. Seis e meia da manhã.
 Já tinha andando um bom pedaço da avenida quando vi um garoto. Não vou negar, era bem bonito e parecia só um ano mais velho do que eu. Ele estava com a cabeça baixa, sentado na calçada.
 Ele podia ser qualquer um, mas eu resolvi parar. Sentei ao lado dele e perguntei o porquê de ele estar ali àquela hora. Ele respondeu com a mesma pergunta. Ficamos nos olhando. Ninguém dizia nada e ninguém sabia o que dizer.
 Não acredito em destino e, dessa vez, ele conseguiu mexer comigo. Pegou-me de surpresa. Às vezes estava querendo brincar, só para eu poder acreditar nele. E o destino do garoto? Agora ele estava comigo, era parte de mim, pra sempre.
 Depois de tanto olhar nos olhos dele e sentir a sua presença comigo dali para frente, ele me abraçou. Pediu desculpas por ter demorado tanto e chorou. Disse que eu não o merecia, mas faria de tudo para poder ter o meu amor.
 Eu, porém, já estava apaixonada por ele. Foi naquela manhã mesmo, desde que o tinha visto, no fosso escuro do meu prédio, com uma rosa vermelha nas mãos, olhando para mim e gritando para todo mundo ouvir: eu te amo.

Conto criado por mim no domingo, 14 de outubro de 2007, às 21:20h.



- rabiscado por Bruna às 22h20
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