ilusões

"Escrevo sem pensar, tudo o que o meu inconsciente grita. Penso depois: não só para corrigir, mas para justificar o que escrevi." (Mário de Andrade)

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ilusionista e iludida

Bruna de Freitas, 16 anos, Leopoldina, MG, 2º ano dos ensinos médio, técnico em mecânica e técnico em piano. Fã incondicional de Tim Burton, Johnny Depp e do DJ Space Cowboy. Botafoguense de coração e prezando sempre o amor, pretendo não morrer sem antes visitar Veneza e New York. Um tanto quanto inconstante. Prefiro ler, rascunhar textos ou dançar a noite toda. Louca por literatura, música, cinema, inglês e festas, tenho certeza que estou em um novo estágio de vida. Às vezes, negocio. Outras, notifico. Senta aí e toma uma xícara de café comigo.

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obrigada

Layout e conteúdo por mim, HTML por Érika e imagem por Deviantart.


Sexo é poesia

Seria muita hipocrisia dizer que sempre falei de sexo com naturalidade. Na verdade, falar abertamente sobre isso quase nunca acontece. Até hoje, conversei sobre sexo e afins com exatos três amigos. Aqui em casa até se fala, mas as palavras relacionadas a sexo são jogadas no ar como metáforas para eu pegar e guardar num pote; e depois refletir sozinha sobre o que guardei lá dentro. Lembro de uma aula de Biologia do primeiro ano que o professor usou só para tirar nossas dúvidas sobre sexo e explicar sobre. Tirando isso, sou praticamente uma autodidata nas vertentes relacionadas a sexo. Até um tempo atrás, sempre que alguém chegava para falar de sexo comigo, eu exclamava “ohs” e “credos” involuntários, querendo, na verdade, dizer absolutamente nada. Era pudor ou medo de falar sobre um assunto tido como tabu por uma legião de pessoas? Não sei. Sei que, agora, meus conceitos mudaram e, com isso, encaro o assunto sexo com a devida naturalidade que deve ser encarado. Afinal, do sexo viemos e sexo faremos/fazemos. Claro que, como romântica assumida, acho sexo sem amor out à beça. Quando tiver que acontecer, vai acontecer. E será naturalmente. Na hora certa, com a pessoa certa, com maturidade, preparação, respeito e a primordial recíproca confiança entre as pessoas. E, obviamente, com muito amor.

Pauta para o Tudo de Blog - Vocês têm vergonha de falar sobre sexo? Isso é um assunto tabu? Ou vocês desencanam geral e não ligam para isso? Quem fala com os pais? Ou somente com os amigos? Ou quem é muito reprimido e cora só de pensar em escrever sobre o tema?




- Postado por: Bruna M. W. de Freitas às 20h27

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Debaixo do Céu

      O reencontro deu-se por volta das dez da noite naquele sábado. Enquadrada no xadrez que vestia dos ombros aos joelhos, ela mal podia acreditar que ele estava ali, de frente pra ela. O perfume dos dois se encontrava no ar como há tempos não se sentia, e o som dos carros ao longe não impedia o silêncio que reinava no curto espaço dos minutos incontáveis em que os dois se reconheciam pela segunda vez.
      Ele tentou falar, tentou se mover para abraçá-la. Tentativas frustradas que resultaram no piscar de olhos mais demorado que ela presenciara. Os quatro olhos pareciam jabuticabas maduras prestes a caírem do pé. Mas não podiam ficar se olhando tanto; não ali. Moveram-se em busca de lugar nenhum. Ainda havia tempo.
      As estrelas permaneciam no lugar de sempre, cintilando para as pessoas que se punham a observá-las em qualquer lugar que fosse. A Lua crescente lembrava o sorriso de alguém que não hesitava ao sorrir, e espremia ao seu lado uma minúscula estrela perdida no espaço. De fato perdida, mas teoricamente: a Lua lhe fazia a companhia necessária na imensidão do céu naquele fim de noite. E parecia que as estrelas haviam sido transferidas para o sorriso dela e para o olhar dele, brilhantes como sol refletido em água pura.
      As mãos dadas transmitiam uma sensação gelada mesmo no tempo quente daquela noite estranha. A sinceridade os perseguia e nenhuma palavra havia sido dita até então. O lugar inseguro havia ficado para trás e os pés os levavam a uma velha subida, já conhecida por ambos, em direção a uma casa cor de primavera desbotada. Entraram.
      Ela estava lá, a velha rede cor de canela, no lugar de sempre, esperando para que fosse palco de abraços e de despedidas intermináveis.
      Felizes só por terem um ao outro, as primeiras palavras começaram a sair das bocas brilhantes, dando início ao clichê amoroso mais bonito que imaginaram.
      - Eu estava com saudade.
      - Eu também, mas tinha medo.
      - Não sei porquê medo.
      - Não sei se você compreenderia o medo.
      - Eu te amo, mesmo com as interrupções.
      - Eu te amo. Sem interrupções.
      Beijaram-se com tal intensidade que se tornaram delicados. Ela mal podia acreditar que seus cabelos misturavam-se ao ombro esquerdo dele e que o tinha, finalmente, bem onde queria.
      A madrugada passou depressa e os dois permaneceram ali, abraçados na rede todos os segundos que podiam. Clamavam silenciosos por um tempo adicional, algo que não se compra, não se volta; simplesmente não se pode ter. Como foram perder tanto dele?
      No último segundo, o barulho do freio do carro já havia poluído os quatro ouvidos. A manhã que começara tinha cheiro de queimado. As escadas que desceram ressoaram como vozes perdidas na multidão.
      Ele entrou no carro em prantos e ela ficou do lado de fora. Olharam-se, despediram-se silenciosamente. Houve o arranco do carro, o choro apertado e a dor contida.
      Sangravam de amor e de tempo perdido. Deram-se conta de que era demasiado grande para terminar de qualquer forma.
      Amor. Amavam. Amam.

Conto escrito em setembro de 2008 e postado na hora certa.



- Postado por: Bruna M. W. de Freitas às 23h59

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