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Atire a primeira pedra quem nunca olhava se tinha algum recado no Orkut assim que ligava o computador alguns anos atrás. Criei o meu em meados de 2005 e, juro, deixava de sair nos sábados só pra ficar de cara pra tela do computador, esperando ansiosamente qualquer recado ou depoimento que fosse, ou até mesmo aqueles cartões super cafonas ou peixinhos coloridos. Hoje em dia, são tantas as redes sociais que até confundo os nomes com as funções. Tem horas que acho que isso é pura modinha, porque todo mundo acha que sabe tirar foto, que tem pleno domínio da língua portuguesa e que é profundo conhecedor da música. A privacidade vai pro saco, e muitos ainda desconhecem o poder da Internet, porque ficam somente com o MSN, Orkut e afins abertos, esquecendo que estão ligadas não somente aos amigos e conhecidos, mas ao mundo todo, podendo sofrer qualquer tipo de lucro ou prejuízo. Acho pura neurose quem tem “todas” as redes sociais. Tudo bem que são muito legais e te proporcionam promover-se sem sair de casa, mas sou obrigada a admitir (inclusive pra mim) que isso é pura auto-afirmação do ego. É realmente muito bom receber elogios, saber que tem gente que gosta de você, ganhar fãs e conquistar o mundo virtual. Só não se pode ficar dependente disso e esquecer que nem só de Internet vive o homem, e que o mais legal, mais válido e mais emocionante em viver fica quando você desliga o computador, no mundo real.
Pauta para o Tudo de Blog - Parece que hoje todo mundo está, de uma forma ou de outra, vivendo dentro das redes sociais. O que vocês acham disso? A coisa toda ficou meio neurótica ou isso é bacana e bem normal? Como fica a questão da privacidade? Isso é somente uma modinha que vai passar ou veio mesmo pra ficar? Quem aí morre um pouquinho se não acessar o orkut pelo menos uma vez no dia?
Primeiramente, eu peço desculpas. Por tudo e principalmente pela falta de vergonha na cara: faz mais de um mês que eu não escrevo aqui. E esse fato não é exclusivo ao blog: faz mais de um mês que eu NÃO escrevo em lugar nenhum. A hesitação na hora de escrever tem me privado do que mais me faz bem, e eu não sei porquê eu ainda hesito. Sim, estou hesitando ao escrever aqui, mas vou continuar. O engraçado é que, não escrevendo, comecei a falar muito. Demais. Sem papas. E o clichê quem fala o que quer ouve o que não quer tem me perturbado mais do que as ondas na aula de Física. Eu não lembro mais do significado de medir as palavras e de ter limites: evaporaram junto com a água da chuva que desceu hoje. E mesmo achando que falei tudo que queria falar, ainda sinto o peso de uma palavra não dita. Pesa mais que um período, mais que uma citação, esbarra numa antologia, e termina num romance. Praticamente um romance, dos bem extensos, ainda a ser dito, e eu não sossego. Eu espero (não prometo porque se não cumpro me sinto culpada) que, mesmo ainda com coisas a dizer, escreverei aqui. A fala e a escrita, de novo, entrarão em equilíbrio. Taí: equilíbrio. Uma palavra que com toda certeza está passando longe longe longe do meu estado de vida físico e psicológico atual. Além de escrever, o que eu mais tenho buscado é o equilíbrio que me falta e me estabelece. Não sei se esse texto vai ser satisfatório para vocês; na verdade, tenho certeza que não. Mas uma coisa é certa: um dos capítulos do romance a ser dito já está falado. Ou melhor: escrito. Finalmente, eu peço desculpas.